
A chuva cai lá fora, aquela garota está mais uma vez com os olhos vermelhos e cansativos de tanto chorar. Ela não quer sair mais de dentro do quarto dela, ali tem uma espécie de proteção. Essa garota cansou de quebrar a cara, cansou de sofrer. Ela preferia ficar trancada dentro do quarto, pois ali ela não tinha contato com outros humanos, ali dentro ninguém poderia magoar ela. Ela dizia que a lâmina era sua melhor amiga, e era a única coisa que ela sempre carregava. Até quando essa dor iria continuar? Ela já não queria mais viver, estava pensando em seu suicídio. Ela nunca teve alguém que se importasse com ela de verdade, sua mãe estava sempre ocupada por causa do trabalho, as supostas pessoas que diziam serem amigos sumiram na primeira dificuldade que ela teve. Seu pai tinha morrido quando ela era menor. Ou seja, ela estava sem ninguém, os braços dela estavam com diversas cicatrizes, ela não queria mais viver, era difícil encarar o seu rosto distorcido no espelho, talvez tenha sido por isso que ela tirou o espelho do quarto. Ela estava jogada num cantinho qualquer do quarto, aonde ninguém via ela, mas ela via todos. Enquanto a chuva caia lá fora, ela se lembrava de como são as pessoas, e nunca aparecia um pouquinho de vontade de sair pra rua. Ela estava cansada dessa sociedade que só sabe julgar, que só sabe questionar, mas nunca AJUDAR. Talvez fosse isso, ela precisava de ajuda, ela precisava de alguém verdadeiro, de alguém que dissesse pra ela ” não se preocupa, eu estou contigo até o final”. Ela abriu a gaveta, ali havia vários remédios. Sim, é isso mesmo que você esta pensando, ela estava cansada de viver, e achava que aquela era a sua hora. Ela pegou todos os remédios, mas antes de tudo, resolveu se mutilar mais um pouco, talvez aquele seja o ultimo corte da vida dela. Ela escreveu na parede ” Vocês estavam preocupados demais em me julgar, mas nunca perguntaram por que eu era assim. ”, seus braços sangravam demais, mas pra ela, aquilo não doía mais, ela estava acostumada, e a dor que ela carregava na alma, era pior que qualquer outra coisa. Ela tinha um mural de fotos em sua frente, tinha poucas fotos ali, mas há alguns anos atrás aquilo era repleto de fotos de ‘‘amigos’’ e familiares. Sim, um dia ela foi feliz, um dia ela sorriu. Um dia ela teve uma vida social. Mas nenhuma felicidade é eterna, não é mesmo? Ela começou a tomar todos aqueles remédios, enquanto tentava achar lágrimas para chorar. A vontade de chorar era enorme, mas ela não tinha mais lágrimas, tinha gastado tudo, não havia nem uma gotinha. Ela tomou todos aqueles remédios, abraçou um urso que carregava desde criança, ela estava esperando o efeito começar, fechou os olhos e disse ”Adeus” depois disso, ela foi para um lugar bem melhor, um lugar aonde a sociedade não julgava. Ela virou um anjo, porque apesar de tudo o que ela passou, ela nunca fez mal a ninguém. E pra quem a conhecia, agora só resta às lembranças.